TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT)

TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT) 
Autoria: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

 * Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva (Médica Psiquiatra, CRM/RJ 5253226/7 e CRM/SP 113.092-S)

 Os portadores do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) são pessoas que passaram por eventos de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica; correram risco de vida; testemunharam a morte de perto; vivenciaram momentos de violência como assaltos, sequestros, acidentes de carro, desastres naturais, guerras, torturas psicológicas e físicas, abusos sexuais etc. São fatos que lhes marcaram profundamente e que desencadearam uma série de sintomas físicos e psíquicos. 

Portanto, para se diagnosticar o TEPT, primeiramente, deve-se ter a certeza de que algum fato ou evento expressivo (agente estressor) tenha ocorrido e que esteja fora dos padrões rotineiros da vida desses indivíduos. A resposta ao evento traumático deve envolver medo intenso, impotência ou horror, e o problema deve causar sofrimento clinicamente significativo, afetando o funcionamento social, ocupacional, acadêmico ou de outras áreas importantes da vida do indivíduo. 
As experiências dolorosas, em sua grande maioria, necessitam de um tempo para serem sedimentadas e cicatrizadas, mas para os portadores do TEPT o evento traumático perpetua-se de forma intensa, demonstrando sinais evidentes de que o trauma continua vivo na memória. 
Qualquer pessoa pode ter TEPT? 
É de se esperar que, quanto maior a gravidade do evento traumático, maior a chance de a vítima desenvolver o TEPT. Porém, a predisposição para que o transtorno se instale varia de indivíduo para indivíduo e está muito relacionada à sensibilidade emocional de cada um, bem como ao tipo de atividade que exerce. 
Uma pessoa emocionalmente mais sensível, depressiva ou com problemas de ansiedade prévios, por exemplo, pode desenvolver o TEPT mesmo que o estímulo traumático tenha sido pouco severo. Em contrapartida, determinadas pessoas que vivenciam experiências traumáticas de grande monta superam-nas de forma relativamente rápida, sem prejuízos significativos. São as predisposições pessoais e a capacidade individual de lidar com situações adversas que determinam quem será acometido pelo problema. 

Quais são os sintomas mais comuns? 
 Recordações vivas, repetitivas e intrusivas (involuntárias) do acontecimento traumático. 
 Revivescência das dolorosas recordações em forma de flashbacks, como se fosse um filme. 
 Pesadelos, insônia, irritabilidade e sobressaltos constantes. 
 Evitação de lugares, assuntos ou pessoas que lembrem o evento traumático. 
 Respostas fisiológicas de medo, que se assemelham a um ataque de pânico: taquicardia. sudorese intensa, ondas de frio ou de calor, sensação de desmaio, falta de ar etc. 
 Embotamento emocional ou sentimentos de “anulação” de seus prazeres. 
 Afastamento de pessoas importantes de seu convívio. 
 Maior propensão à depressão, transtorno do pânico, abuso de drogas etc. 

O TEPT tem tratamento, tanto medicamentoso quanto psicoterápico, e as chances de melhoras e superação do problema aumentam quanto mais precocemente for a procura de ajuda especializada.

Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva

Médica graduada pela UERJ com pós-graduação em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora Honoris Causa pela UniFMU (SP) e Presidente da AEDDA – Associação dos Estudos do Distúrbio do Déficit de Atenção (SP). Diretora da clínica Medicina do Comportamento (RJ), onde faz atendimento aos pacientes e supervisão dos profissionais de sua equipe. Escritora, realiza palestras, conferências, consultorias e entrevistas nos diversos meios de comunicação, sobre variados temas do comportamento humano.

Livros Publicados: 
 Mentes Inquietas – TDAH: Desatenção, hiperatividade e impulsividade [Publicação revista e ampliada]

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