INDEPENDÊNCIA DA BAHIA – 2 DE JULHO: O QUE DESVENDAS?

 INDEPENDÊNCIA DA BAHIA – 2 DE JULHO: O QUE DESVENDAS?

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 A História do 2 de Julho nos permite conhecer a importância da Bahia no movimento de independência do Brasil. Os fatos que antecederam a retirada definitiva das tropas portuguesas do Brasil, no DIA 2 DE JULHO DE 1823, são datados desde o mês de março de 1822, na capital seguido para à região do Recôncavo baiano com conspirações contra o governo militar que o Brigadeiro Português Luiz Madeira de Mello estabeleceu na cidade de Salvador com o objetivo irmanar a nação brasileira com a nação portuguesa sob um único Rei.

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O trajeto feito pela brigada que venceu os portugueses foi iniciado no Recôncavo, adentrando os limites da cidade de Salvador e tendo um dos seus momentos mais significativos na História da Independência da Bahia, a batalha de Pirajá travada durante oito horas por 4000 homens, culminando na libertação final das tropas portuguesas.

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 Apesar da importância da Batalha de Pirajá, poucos a conhecem e não consta no conteúdo programático cumprido pelas escolas. Além das fontes oficiais que registram a História da Independência da Bahia, moradores do bairro de Pirajá contam com orgulho as informações que sabem e algumas iniciativas já foram e estavam feitas no sentido de sistematizar este patrimônio imaterial, a exemplo o Projeto Onda Solidária de Inclusão Digital.

 

 Para um melhor entendimento, os bolsistas do Projeto Onda Solidária de Inclusão Digital foram à Cachoeira-Ba e fizeram o seguinte registro:

 Livro: História da Bahia

Autor: Luis Henrique Dias Tavares (Prof° titular de Historia do Brasil da UFBA; Doutor em História) 8ª edição; ed. Ática).

 

GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA

Movimento pela Independência do Recôncavo:

Concluída a ocupação militar da cidade de SalvadorO Brigadeiro Português Inácio   Luiz Madeira de Mello e seus comandantes adotaram uma linha de providências que visava duplamente justificar as decisões que tomaram para posse do governo das armar e obter apoio político local para manter a Bahia unida a Portugal. Madeira de Mello divulgou uma proclamação na qual afirmava desejar “que a harmonia torne a estabelecer-se entre tantos milhares de cidadãos de uma mesma nação súbditas de um mesmo rei, que só deve considerar-se entre se como irmão”. Mas estava preparado para uma luta demorada; e para as suas tropas portuguesas comandados pelo brigadeiro Francisco Joaquim Caneti e que tinha sido expulsos do Rio de Janeiro por ordem do Principio D.Pedro. Um número apreciável de famílias abandonaram a cidade. Iam para o Recôncavo: Santo Amaro, São Francisco do Conde, Cachoeira, Maragogipe,…

 Existiriam em abril várias conspirações contra o governo militar que Madeira de Mello estabeleceria na cidade de Salvador; algumas tendiam para o reconhecimento da autoridade do Príncipe Regente D. Pedro. Mas só se definiram entre maio/junho. E nesse   sentido influiu a carta-consulta de 22 de março dos deputados baianos às Cortes, um documento preparado com o espírito conciliador do parecer da Comissão Especial dos Negócios do Brasil, mas que, ainda assim, uniu proprietários, oficiais militares e intelectuais liberais nas mesmas posições de reconhecimento da regência no Rio de Janeiro e da aceitação da autoridade do Príncipe D. Pedro. O jornal O Constitucional esclarece: “Defendemos e havemos de defender a posição de ter o Brazil, hum Centro de Poder Executivo”. Tentou-se um primeiro pronunciamento na Câmara da cidade de Salvador. Marcado para 12 de junho, nesse dia as tropas portuguesas bloquearam as ruas da Misericórdia e a Direita do Palácio, a Praça da Câmara e todas as vias de acesso; a reunião estava proibida. Dois dias depois (14 de junho) reuniu-se a Câmara de Santo Amaro. E, com a participação do Ouvidor da Comarca, Desembargador Antônio José Duarte d’Araújo Gordin, dos vereadoras João Lourenço de Atayde Seixas, Antônio de Araújo Gomes Junior; Raymundo Gonçalves Martins, do juiz-de-fora e presidente da Câmara Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos, do procurador da vila Joaquim José Ribeiro Juimones; de oficiais da milícia, religiosos, advogados, políticos e professore; decidiu: “ Que haja no Brazil, hum Centro único de Poder Executivo, que este poder seja exercido por sua Alteza rela, o Príncipe Real” (D.Pedro). A partir da aprovação dessa resposta a carta-consulta dos deputados baianos ás Cortes é possível encontra uma seqüência de preparativos para a união da Bahia ao Príncipe D.Pedro, já então aclamado no Rio de Janeiro Defensor Perpetuo e Constitucional do Brasil.

 A 21 de junho há uma reunião, proprietários, lavradores, militares, na final inventariam armas e munição; em 24 de junho concentram-se soldados e oficiais militares sob o comando dos grandes proprietários e coronéis da milícia José Garcia de Moura Pinetu e Aragão e Rodrigo Antônio Falcão Brandão. No sitio de Belém, povoado pouco acima da Vila de Cachoeira. a) O 25 de junho. Foram esses que oficiaram convocando uma reunião da Câmara. E reunida às 9 horas da manhã de 25 de junho de 1822, essa câmara indaga “do povo, e tropa” (…) “se erão contentes que se aclamasse a S.A.R. o sr.   D.Pedro de Alcântara, por Regente Perpétuo Defensor e Protector do Reino Brazil.” Com a resposta afirmativa, o procurador da vila, Manuel Teixeira de Freitas jogou o estandarte da Câmara para o povo e a tropa reunida na praça aparentemente significando que lhes entregava o símbolo do poder. Lavrou-se uma ata. E estava celebrando Ti Deum na igreja de Nossa Senhora do Rosário quando a escuna canhoneira pilotada por Madeira de Mello disparou o primeiro tiro contra a vila; quase ao mesmo tempo, de suas casas alguns portugueses atiraram nos que passavam. Mas foi somente no dia seguinte que se formou a Junta Interina, Conciliadora e de Defesa, que se instalou no Hospital São João de Deus e adotou as suas primeiras decisões de governo: enviar mensageiros às vilas e povoados para informar-lhes a aclamação do príncipe e as hostilidades portuguesas já declaradas para a escuna canhoneira; e organizar forças para deter os tiros da canhoneira e dos portugueses isolados em suas residências. Aproveitavam uma “velha peça de ferro” para improvisar a arma com que responderam aos disparos da canhoneira. Também utilizaram vaívens mandados. E embora fossem precárias, essas armas, serviram e no entardecer de 28 apareceu uma bandeira branca na canhoneira, que foi tomada e de onde vieram presos o capitão e 26 soldados.

 Nesse junho de 1822, Francisco Carneiro de Campos e José Cardoso Pereira de Mello abandonaram a Junta Provisória da Bahia, já então virtualmente prisioneira das tropas portuguesa; foram para o Rio. Pouco antes deles, Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque deixa a residência dessa Junta e seguiria para Santo Amaro. b) Adesão das Vilas: A 26 de junho ocorreu a reunião na Câmara da vila de Maragogipe que decidiu: “no Reino Brazil deve residir hum único centro de poder executivo na pessoa do príncipe real”.. No dia 29 chegou a Cachoeira, uma delegação das vilas de São Francisco do Conde e de Santo Amaro, composta do tenente coronel Felisberto Gomes Carneiro, do major-de-engenharia Antônio Mario da Silva Torres (um e outro, conspiradores do 03 de novembro) e de Miguel Calmon Du Pim e Albuquerque. Propuseram que a Junta ampliasse suas atribuições para transformar em governo militar e civil legitimo em todas as vilas do Recôncavo.

 Em 29 de junho, as vilas de São Francisco do Conde e de Santo Amaro aclamaram o Príncipe D.Pedro, Regente Constitucional do Brasil. Por esses dias, Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque de Ávila Pereira, chamado Santinho, empolou o comando geral das tropas milicianas. Sucintas, mas incisiva representação de São Francisco e Santo Amaro pediu em agosto “o estabelecimento de um governo geral, não só para o recôncavo e comarca da Bahia, mas também para toda a província”. Queriam um conselho, ao qual “todas as autoridades civis e militares sem excepção alguma ficarão subordinados”. Interino teve a seguinte composição:

 Santo Amaro: Francisco Elisbão Pires de Carvalho e Albuquerque que seria eleito Presidente do Conselho em 6 de setembro; Cachoeira: Francisco Gomes Bedão Montizuma, que seria eleito secretario em 6 de setembro; São Francisco do Conde: Desembargador Antônio José Duarte D’Araújo Gondin; Jaguaribe: Capitão Manuel Gonçalves Maria Bittencourt; Maragogipe: Capitão-mor Manuel Silva Souza Coimbra; Inhampube: Coronel Simão Gomes Ferreira Vellozo; Pedra Branca: Cônega Manuel Dênde Bus; Abrantes: Miguel Calmon du Pim e Almeida; Itapicuru: João Dantas dos Reis Portátil; Valença: Reverendo Theodozio Rios de Castro; Água Fria: Vigário Francisco José de Miranda Jacobina: Comendador Francisco Ayres de Almeida; Maraú: Manuel dos Santos Silva; Rio de Contas: Capitão José Valentim de Souza; Camamu: Reverendo Izidoro Manuel Mendes; Santarém: Capitão Pedro Jorge Vilimo; Cairu: Pedro José de Melo Varjão. Esse conselho exerceu enérgica e constante ação política, militar e administrativa desde a sua instalação e procurou manter-se no governo ao longo da campanha militar. Nos seus primeiros dias, dirigiu-se às Câmaras e exigiu votos de fidelidade e obediência; organizou batalhões; reuniu e distribuiu armas e munição; e até que o coronel Santinho entregasse o comando dessas forças ao general Pedro Labatut; o Conselho interino suscitou as proposições de defesa estabelecidas na Ilha de Itaparica e nos pontos do Funil, São Roque, Encarnação, Iguape, Saubara e Ponta de Nossa Senhora.

  

 

 

 

 

 

GUERRA PELA INDEPENDÊNCIA

 

Era a Guerra pela Independência do Brasil na Bahia. Ao longo do decurso, há uma primeira fase, na qual as operações de guerra seguiram iniciativas locais, embora sofra controle geral do Conselho Interino e comando do Coronel miliciano Santinho, Joaquim pires de Carvalho e Albuquerque de Ávila Pereira, que seria depois Visconde de Pirajá. E lha numa segunda fase, essa sob o comando unificado do General Pedro Labatut. Na fase que vai de junho a outubro de 1822, sugiram diversos Batalhões Patrióticos, alguns dos quais se tornaram conhecidos: Campanha dos “Caçadores de Santo Amaro”, que obedeceu ao comando do proprietário Capitão Antônio Bittencourt Berenguer César; “Voluntários da Vila de Argolo; e os voluntários do Príncipe D.Pedro”, denominado dos Periquitos (por causa da farda), sob comando do Major Miliciano Castro. Esse batalhão foi posteriormente adestrado ao Exercito e tornou-se Batalhão dos Caçadores, a ele pertenceu Maria Quitéria.

 

 

 

A esquadra que trouxe Labatut partiu do Rio a 1 de junho; transportava 38 oficiais e 260 soldados. Dirigiu-se, porém para Alagoas e de Alagoas para Pernambuco, onde Labatut incorporou 250 homens da tropa de linha, soldados armados e “pagos por trez meses” e oficiais brasileiros, dos quais é o maior exemplo, o coronel José de Barros Lacerda. Labatut alcançou a “Fera do Capuame” em 28 de outubro. Nesse mesmo dia o coronel Santinho reuniu todo o armamento e tropa para o Engenho Novo de Pirajá e entregou o comando. Em seguida Labatut dedicou-se à organização e a disciplina do Exercito. E, em tom sereno, apresentando-se como pacificador, intimou Madeira de Mello. Todavia descrente de qualquer solução pacifica organizou o Exercito em duas “Brigadas” colocando a primeira brigada na área de Cabrito – Campinas – Pirajá e a segunda em Armação “avançando duas léguas de Itapoan”; o Tenente Coronel José Falcão de Gomes Caldera. Tornou outras providências, principalmente para municias a tropa e suprir o Tesouro geral do Exercito. Era severo o distante, e inaugurou seu comando com a disciplina de guerra em que fora educado na Europa. É nessa fase que a guerra pela Independência do Brasil na Bahia vive alguns dos seus principais choques bólicos, o mais importante dos quais foi a Batalha de Pirajá. a) A Batalha de Pirajá: Travou-se na área de Cabrito – Campinas – Pirajá. Teria durado oito chovas. E movimentou 4000 homens constituindo-se desde então na mais alta demonstração da resistência Brasileira ao longo da cansativa, ingrata e merosa campanha militar pela Independência. Contudo, que sabemos dessas batalhas? Em verdade, muito pouco: o comunicado de Labatut para o Conselho Interino, data de 9 de novembro, no qual informe que as forças de Madeira de Mello foram “obrigadas a ceder pelo valor, o de novo das bravas Tropas Pernambucanas e do Rio de Janeiro, como também pelos soldados da Legião da Bahia”; a corta ao Ministro José Bonifácio de Andrade e Silva; e as notícias publicadas nos jornais “Seminário Cívico e Idade d’Ouro” . Pela escassez e imprecisão dos informes, passou a dar grande credito à versão de Ladislau dos Santos Títaro, o autor do poema “Paraguaçu” e a quem se respeita como testemunha ocular da campanha militar pela Independência, pois exerceu o encargo de registrar em linhas todas as correspondências do General Labatut.

 

Nas informações de Labatut, mas notícias dos jornais portugueses aparecem à tenacidade dos oficiais e soldados brasileiros, regulares, milicianos e voluntários, e o erro tático do Coronel Português Francisco José Pereira, que atacou pela esquerda e abriu para Armação e Boca do Rio, assim enfraquecendo o centro do ataque a Campinas – Pirajá, o que concedeu ao Tenente Coronel Barros Falcão (Labatut nau participou da Batalha de Pirajá) uma brecha para a ofensiva.

 

*Texto reproduzido na íntegra.

 

 

 

 

 

 

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Independência da Bahia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
 
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de dois de julho, veja Dois de julho.
Independência da Bahia
Parte da(o) Guerra da independência do Brasil
Parreiras O Primeiro Passo para a Independência da Bahia.png
Antônio Parreiras:O Primeiro Passo para a Independência da Bahia.
Data 2 de Março de 1822 a
2 de Julho de 1823
Local SalvadorBahia
Desfecho Vitória brasileira
Mudanças
territoriais
Recôncavo baiano
Intervenientes
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg Império do Brasil Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Reino de Portugal
Principais líderes
Flag of Empire of Brazil (1847-1889).svg Pedro Labatut Flag United Kingdom Portugal Brazil Algarves.svg Inácio Luís Madeira de Melo
Forças
No começo: 1.500
No final: 14.000
Navios:
1 Navio de linha
3 Fragatas
2 Corvettes
3 Navios brigadeiros
1 “Charrua”
1 Brigadeiro-Escuna
No começo: 3.000
No final: 10.500
Navios:
1 Navio de linha
2 Fragatas
1 “Charrua”
8 Corvettes
2 Brigadeiros
Vítimas
750 mortos,280 feridos 2.500 mortos,700 feridos,300 capturados.

Independência da Bahianota 1 foi um movimento que, iniciado em 1821 (mas com raízes anteriores) e com desfecho em 2 de julho de 1823, motivado pelo sentimento federalista emancipador de seu povo, terminou pela inserção daquela então província na unidade nacional brasileira, durante a Guerra da independência do Brasil.

Aderira Salvador à Revolução liberal do Porto, de 1820 e, com a convocação das Cortes Gerais em Lisboa, em janeiro do ano seguinte, envia deputados como Miguel Calmon du Pin e Almeida na defesa dos interesses locais. Divide-se a cidade em vários partidos, o liberal unindo mesmo portugueses e brasileiros, interessados em manter a condição conquistada com a vinda da Corte para o país de Reino Unido, e os lusitanos interessados na volta ao status quo ante.1

Dividem-se os interesses, acirram-se os ânimos: de um lado, portugueses interessados em manter a província como colônia, do outro brasileiros, liberais, conservadores, monarquistas e até republicanos se unem, finalmente, no interesse comum de uma luta que já se fazia ao longo de quase um ano, e que somente se faz unificada com a própria Independência do Brasil a partir de 14 de junho de 1822, quando é feita na Câmara da vila de Santo Amaro da Purificaçãoa proclamação que pregava a unidade nacional, e reconhecia a autoridade de D. Pedro I.1

Na Bahia a luta pela Independência veio antes da brasileira, e só concretizou-se quase um ano depois do 7 de setembrode 1822: ao contrário da pacífica proclamação às margens do Ipiranga, só ao custo de milhares de vidas e acirradas batalhas por terra e mar emancipou-se de Portugal, de tal modo que seu Hino afirma ter o Sol que nasceu ao 2 de julho brilhado “mais que o primeiro“.

Índice

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Agitações na Bahia[editar]

Sementes da luta[editar]

A partir da Conjuração Baiana (1798), pode-se afirmar que na Bahia, mais até que em Minas Gerais quando da Inconfidência Mineira (1789), estava arraigado na população o sentimento de independência em relação a Portugal. Se em Minas o conciliábulo se deu entre as famílias mais abastadas, na Bahia gente humilde participou ativamente, como por exemplo colando cartazes nas ruas concitando o apoio de todos.

Revolução liberal do Porto (1820) teve enorme repercussão na Bahia, onde era grande o número de portugueses. Como desdobramento, em fevereiro de 1821 uma conspiração de cunho constitucionalista eclodiu em Salvador. Dela participaram Cipriano BarataJosé Pedro de Alcântara, o capitão João Ribeiro Neves e outros. Detido o Comandante das Armas e soltos os soldados presos, foi lida uma proclamação que exortava:

Os nossos irmãos europeus derrotaram o despotismo em Portugal e restabeleceram a boa ordem da nação portuguesa (…) Soldados! A Bahia é nossa pátria e nós não somos menos valorosos que os Cabreiras e Sepúlvedas! Nós somos os salvadores do nosso país; a demora é prejudicial, o despotismo e a traição do Rio de Janeiro maquinam contra nós, não devemos consentir que o Brasil fique nos ferros da escravidão.

E concluía: “Viva a constituição e cortes na Bahia e Brasil – Viva El-Rei D. João VI nosso soberano pela constituição. Marcha.

Os conspiradores liberais pretendiam, como em Portugal, uma constituição que limitasse o poder real. Habilmente, alguns foram adrede convencidos de que a verdadeira luta deveria ser pela manutenção do soberano no Brasil, entre eles o futuro marquês de Barbacena, então marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes que, apesar de brasileiro, comandou a reação do governo, junto ao então coronel Inácio Luís Madeira de Melo. Lutas ocorreram até à vitória dos revoltosos, sendo aclamado ao povo, na Praça da Câmara, o novo estado de coisas. O Governador, conde da Palma, foi à Câmara Municipal e renunciou.

Portugueses e brasileiros estavam unidos, e constituíram uma Junta Governativa. Mas a situação não iria durar.

Portugueses vs. Brasileiros[editar]

Carta da Bahia de Todos os Santos

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O Caboclo vence o Dragão da Tirania
Conflitos na História do Brasil
– Império –
Primeiro Reinado
Guerra da Independência: 1822-1823
Independência da Bahia: 1821-1823
Confederação do Equador: 1824
Guerra contra as Províncias Unidas: 1825-1828
Revolta dos Mercenários: 1828
Período Regencial
Federação do Guanais: 1832
Revolta dos Malês: 1835
Cabanagem: 1835-1840
Farroupilha: 1835-1845
Sabinada: 1837-1838
Balaiada: 1838-1841
Segundo Reinado
Revoltas Liberais: 1842
Revolta Praieira: 1848-1850
Guerra contra Oribe e Rosas: 1851-1852
Ronco da Abelha: 1835-1845
Questão Christie: 1863
Guerra contra Aguirre: 1864
Guerra do Paraguai: 1864-1870
Questão Religiosa: 1872-1875
Revolta dos Muckers: 1874
Revolta do Quebra-Quilos: 1874-1875
Questão Militar: década de 1880

Com o retorno de D. João VI a Portugal (Abril de 1821), permanecendo no Rio de Janeiro oPríncipe-Regente D. Pedro de Alcântara, que uma carta das Cortes de Lisboa mandava voltar a Portugal, ficou claro aos brasileiros que a antiga metrópole não aceitaria a condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Nas tropas, unidas no sentimento constitucionalista, a cisão entre portugueses e brasileiros foi-se acentuando. Ódios acirrados resultaram em muitos conflitos parciais e boatos que, em 12 de Julho de 1821, fizeram os portugueses se reunir no quartel para a defesa de possível ataque dos brasileiros.

12 de novembro soldados portugueses saíram pelas ruas de Salvador, atacando soldados brasileiros, num confronto corporal na Praça da Piedade, registrando-se mortos e feridos. A população, temerosa, iniciou um êxodo paulatino para os sítios do Recôncavo. O ano terminou com as tensões em alta.

31 de janeiro de 1822 uma nova Junta foi eleita e em 11 de fevereiro chegou a notícia da nomeação do Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo como Comandante das Armas da província. Era o militar que apoiara o conde da Palma, um ano antes. A ordem da nomeação chegou quatro dias depois. Os baianos tinham um comandante que já se declarara contrário aos seus ideais…

De junho de 1822 a julho de 1823 a luta se prolongou entre o governo provisório da província, eleito em junho, favorável à independência, e as forças portuguesas sob o comando do brigadeiro Madeira de Melo, concentradas em Salvador.

Resistência a Madeira de Melo – a primeira mártir do Brasil[editar]

Na Bahia, constituíam-se três facções, que manteriam a luta acesa:

  • Os partidários da manutenção do regime colonial – quase que exclusivamente integrado por portugueses;
  • Os Constitucionalistas do Brasil – defensores de uma constituição para o Brasil, enquanto Reino Unido, integrado por portugueses e brasileiros;
  • Os Republicanos – adeptos da emancipação política, com a adoção de um regime republicano (à semelhança dos Estados Unidos), integrado quase que exclusivamente por brasileiros.

No comando das Armas estava o brigadeiro Manuel Pedro, que fortalecera os brasileiros, antecipando estratégicamente uma refrega. A sua destituição e a nomeação de Madeira de Melo foi duro golpe no partido nacional.

A posse de Madeira de Melo foi obstada pelos brasileiros, sob pretexto da ausência de pequenas formalidades. Enquanto isso, o povo passou a defender o nome de Manoel Pedro. Madeira de Melo buscou apoio junto aos comerciantes portugueses da cidade, além dos regimentos de Infantaria (12º), de Cavalaria e das unidades da Marinha Portuguesa. Por seu lado, os brasileiros na Bahia contavam com a Legião de Caçadores, o regimento de Artilharia e o 1º Regimento de Infantaria.

18 de fevereiro de 1822 reuniu-se um conselho de vereadores, juízes e Junta Governativa para dirimir a questão da posse. Como solução foi proposta uma junta militar, sob a presidência de Madeira de Melo. Na prática, era a sua vitória sobre os interesses contrários.

Joana Angélica.

As tropas portuguesas estavam de prontidão desde o dia 16, enquanto os marinheiros percorriam as ruas, fazendo provocações – Madeira de Melo fizera constar que, ocorrendo qualquer ameaça à constituição, agiria sem consultar a Junta Militar. Vitorioso, desfilou pelas ruas, inspecionando as fortificações, desafiando as guarnições de maioria nacional. Na madrugada do dia 19 ocorreram os primeiros tiros, no Forte de São Pedro, para onde acorreram as tropas portuguesas, vindas de São Bento. Salvador transformou-se numa praça de guerra, e confrontos violentos ocorreram nas Mercês, na Praça da Piedade e no Campo da Pólvora.

Apesar da encarniçada defesa, as tropas portuguesas tomaram o quartel onde se reunia o batalhão 1º da Infantaria. Os marinheiros portugueses festejaram a vitória, tendo atacado casas, pessoas e invadido o Convento da Lapa onde haviam se refugiado alguns revoltosos, vindo a assassinar a sua abadessa, SórorJoana Angélica.

Restava tomar o Forte de São Pedro. Madeira de Melo preparou-se para bombardear a fortificação – uma das poucas inteiramente em terra, no centro da cidade. No cerco, foram atacados nos lados do Garcia. No dia seguinte, o forte rendeu-se, evitando-se o derramamento de sangue. O brigadeiro Manuel Pedro foi preso e enviado a Lisboa.

No poder, o “Partido Português” atemorizava os brasileiros. A 2 de março de 1822, Madeira de Melo finalmente prestou juramento perante a Câmara de Vereadores.

A guerra[editar]

Monumento à Independência da Bahia, situado no Campo Grande.

Detalhe do Monumento à Independência da Bahia.

Julho de 1822 – a Bahia conflagrada[editar]

Os brasileiros ainda na capital reagiram com pedradas às ações militares de Madeira de Melo e, na procissão de São José (21 de março de 1822), os portugueses foram apedrejados.

Sobre esse episódio, Madeira de Melo registrou:

Então viu-se nesta cidade reunir-se uma multidão de negros a fazer depósitos de pedras em alguns lugares muito públicos, como o Largo do Teatro e ruas adjacentes; tomaram suas posições e logo que apareceu uma procissão que era feita por naturais da Europa, atiraram sobre ela uma infinidade de pedradas (…) Chegada a noite, reuniram-se grandes magotes em diferentes sítios e apedrejaram todos os soldados e mais pessoas que viram ser Europeus (…)2

Respondia pelos interesses dos baianos um jornal, o “Constitucional“, de Francisco Corte Imperial e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma (que veio a compor o primeiro governo durante as lutas), que dava vazão aos sentimentos da maioria do povo.

A cidade de Salvador assistia à debandada, a cada dia maior, dos moradores, que aumentou diante da chegada de reforços a Madeira de Melo: um navio, dos que levavam tropas do Rio de Janeiro de volta a Portugal, aportou na capital, ali deixando seus soldados.

Consulta às Câmaras Municipais[editar]

Os deputados da província da Bahia nas Cortes de Lisboa (entre os quais Luís Paulino d’Oliveira Pinto da França, que chegou a ser enviado por D. João VI para negociar com Madeira de Melo – chegando após o desfecho do conflito), consultaram por carta os seus distritos, indagando qual a opinião das municipalidades sobre qual deveria ser a relação da Bahia com a metrópole. Tomando a frente, as vilas de Cachoeira e São Francisco do Conde, seguidas pelas demais, manifestaram-se favoráveis a que a província passasse para a regência de D. Pedro, no Rio de Janeiro. Havia, por trás destas declarações, nítida vontade de separação de Portugal, a quem já tinham como a figura opressora.

Uma escuna militar foi mandada por Madeira de Melo para Cachoeira. A 25 de junho de 1822, reuniram-se na Câmara Municipal de Cachoeira os nomes de Antônio de Cerqueira LimaJosé Garcia Pacheco de AragãoAntônio de Castro LimaJoaquim Pedreira do Couto FerrazRodrigo Antônio Falcão Brandão,José Fiúza de Almeida e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, futuro visconde de Jequitinhonha, tendo como resultado a consulta ao povo, pelo Procurador do Senado da Câmara, “se concordava que se proclamasse Sua Alteza Real como Regente Constitucinal e Defensor Perpétuo do Brasil, da mesma forma que havia sido no Rio de Janeiro“. O povo respondeu com entusiasmo que “Sim!”.

Em comemoração, a vila iniciou em seguida um desfile da cavalaria que marchou pelas ruas, celebrando-se uma missa. Durante o desfile popular, foram disparados tiros em sua direção, vindos da casa de um português e da escuna fundeada ao largo. O tiroteio seguiu por toda a noite e no dia seguinte.

Em Cachoeira constitui-se a “Junta de Defesa”[editar]

Os partidários “brasileiros” reuniram-se na cidade de Maragojipe, a 23 km de Cachoeira, em novembro de 1822 e decidiram então que todos ficariam do lado de D.Pedro e contra a corôa portuguesa. Proclamaram uma Junta Conciliatória e de Defesa, para governo da cidade, em sessão permanente, recebendo a adesão de muitos portugueses. Dentre esses brasileiros, destacavam-se Rodrigo Antônio Falcão Brandão, depois feito primeiro barão de Belém, e Maria Quitéria de Jesus. Foi constituída uma caixa militar e instaram ao comandante da escuna portuguesa para que cessasse o ataque, obtendo como resposta uma ameaça.

O povo reagiu e teve lugar o primeiro combate pela tomada da embarcação que, cercada por terra e água, resistiu até à captura e prisão dos sobreviventes, em 28 de junho de1822. As vilas do Recôncavo foram aos poucos aderindo à de Cachoeira. Salvador tornou-se alvo de maiores opressões de Madeira de Melo, e o êxodo da população ganhou intensidade.

As municipalidades se organizaram para um combate, treinando tropas, cavando trincheiras. Pelo sertão chegavam as adesões. Posições estratégicas foram tomadas nas ilhas do Recôncavo, em Pirajá e Cabrito. As hostilidades iniciaram-se e as suas notícias espalharam-se pela Província e pelo restante do país. Itaparica já aderira. Para lá enviou Madeira de Melo uma expedição, que chegou atirando. O povo fugiu, engrossando as hostes que se concentravam no Recôncavo.

Miguel Calmon, futuro Marquês de Abrantes, primeiro governador da Bahia “livre”

Em Cachoeira foi organizado um novo Governo, para comandar a resistência, a 22 de setembro de 1822, sob a presidência de Miguel Calmon do Pin e Almeida, futuro Marquês de Abrantes.

Todos estes movimentos foram comunicados ao Príncipe-Regente. De Portugal, 750 soldados enviados como reforço para a manutenção da ordem na Bahia, chegaram em agosto.

Proclamada a Independência do Brasil (Setembro), em outubro de 1822 chegou do Rio de Janeiro o primeiro reforço aos patriotas baianos, sob o comando do francês general Pedro Labatut. Era uma tropa constituída quase toda por portugueses, já que ainda não existia um exército verdadeiramente nacional. O seu desembarque foi impedido, indo aportar a Maceió, em Alagoas, de onde veio, por terra – conseguindo assim arregimentar mais elementos ao fraco contingente.

Labatut assumiu o comando das operações, sendo mais tarde substituído nessa função pelo general José Joaquim de Lima e Silva.

As batalhas[editar]

Diversas batalhas foram travadas, levando o nome dos lugares onde os combates ocorreram.

Pirajá[editar]

Tendo recebido reforços, Madeira de Melo desferiu um grande golpe contra as tropas brasileiras em Pirajá, conduzindo as suas forças para a Estradas das Boiadas (ver também: Liberdade). Assim registrou Tobias Monteiro, em “A elaboração da independência“:

A luta foi tremenda, a resistência heróica; mas após quase cinco horas de refregas, acudindo reforços chegados da cidade e para não ver o exército bipartido, os independentes estavam ao ponto de recuar e escolher na retaguarda melhor ponto de defesa.
Já galgavam os atacantes as encostas dos montes, certos de levar de vencida o inimigo, quando ouviram o toque sinistro de avançar cavalaria e degolar. O corneta, a quem o major Barros Falcão, que comandava a ação naquele ponto, dera ordem de tocar retirada, trocara, por conta própria, o toque destinado a anunciar a derrota dos irmãos de armas, pelo do ataque inesperado, donde veio a desordem e o pânico dos portugueses. (nota abaixo sobre o Corneteiro Lopes)
O estratagema providencial de Luís Lopes, que assim se chamava esse lusitano aderente à causa do Brasil, transformou subitamente a ação. Espantados da presença dessa cavalaria imaginária, com que não contavam, os portugueses estremeceram indecisos e, por fim, recuaram. Sem perda de um momento, prevalecendo-se os brasileiros da situação, ordenaram a carga de baioneta. As hostes quase vitoriosas vinham agora de roldão sobre a planície, fugindo amedrontadas, envolvendo as reservas na mesma dispersão e na mesma derrota.
Depois desse desastre e do último malogro da ação sobre Itaparica, o exército de Madeira ficou em total abatimento, que não pôde renovar reforços para dominar além da capital.

Em maio de 1823, chegou à costa da província a esquadra comandada por Thomas Cochrane, para participar do bloqueio marítimo à capital da província. A derrota final de Madeira se deu em 2 de julho de 1823.

2 de julho: data máxima da Bahia[editar]

Entrada do Exército Libertador, segundo tela de Presciliano Silva, mostra a passagem dos soldados pelo arco feito pelas freiras do Soledade.

Não houve rendição de Madeira de Melo; este simplesmente embarcou, derrotado, com o que lhe restava de tropas na capital, cerca de quatro mil e quinhentos homens, que tomaram 83 embarcações. As primeiras tropas brasileiras que entraram na capital foram as que estacionavam em Pirajá e seguiram atéSão Caetano, sob o comando do coronel João de Souza Meira Girão, trecho da antiga “estrada das boiadas” que, depois, passou a chamar-se Estrada da Liberdade. Teriam sido recebidos, segundo a tradição, por um arco do triunfo feito em flores pelas irmãs do Convento da Soledade. Também ali seguiam José Joaquim de Lima e Silva, à frente do Batalhão do Imperador e comandante-em-chefe e o Coronel Antero José Ferreira de Brito com os homens que tomaram as trincheiras da Lapinha e Soledade.3

Outras tropas ingressaram na cidade, ocupando-lhe os quartéis e pontos-chave de sua defesa:

  1. Felisberto Gomes Caldeira saiu de Armação e Rio Vermelho rumo ao Tororó, Barra, Graça e Corredor da Vitória, ocupando os quartéis do Campo da Pólvora, Palma, Gamboa e Forte de São Pedro, e ainda a Casa da Pólvora, nos Aflitos.3
  2. Major José Leite Pacheco, saindo de Armação e da Pituba, segue pela área conquistada pelo Major Silva Castro em Cruz de Cosme e vai para o Carmo. Ocupam o Convento do Carmo, e postos em São Bento, Piedade, Jerusalém (ou Hospício), Noviciado (atual São Joaquim) e Santa Tereza.3

Ao todo chegam a Salvador, no 2 de julho, um total de 8.686 oficiais e soldados, sem contar as mais de mil mulheres que os acompanhavam no auxílio, cozinha e socorro.3

Folclore da Independência[editar]

Alegoria do “Caboclo”.

Uma luta tão duradoura, tão visceralmente ligada às aspirações de um povo, deixou um variado legado no folclore. O historiador José Calasans registrou algumas quadrinhas que eram cantadas, de ambos os lados (portugueses e brasileiros)4 :

  • Dos portugueses, parodiando aquele que era então o Hino do Brasil:
Brava gente brasileira
Do gentio da Guiné
Que deixou as cinco chagas
Pelos ramos do café.
“cinco chagas” referia-se à bandeira portuguesa
“ramos do café”, alusão à bandeira adotada por Pedro I.
  • Dos brasileiros, contra seus adversários, as quadrinhas:
Labatut jurou a Pedro,
Quando lhe beijou a mão,
Botar fora da Bahia
Esta maldita nação!
O Madeira queria
se coroar!
Botou uma sorte,
Saiu-lhe um azar!

Nas batalhas[editar]

Maria Quitéria, heroína da independência daBahia.

  • Intervenções divinas:

Registra ainda Calasans um fato narrado pelo folclorista João da Silva Campos, em que Santo Antônio protagoniza uma curiosa intervenção na retirada das tropas do brigadeiro Manuel Pedro de Salvador, possibilitando assim a organização das forças de resistência em Cachoeira: “A soldadesca d’el-rei deu para trás com precipitação, ante os repetidos golpes do estranho guerreiro de burel que, ao demais, parecia blindado contra as balas (…) Mais tarde explicaram os reinóis a causa de haverem cedido terreno àqueles. Então os nacionais, que não tinham visto frade algum à testa dos seus pelotões, atribuíram a Santo Antônio a façanha de, esposando a causa da Independência do Brasil, haver-se oposto de arma em punhos aos seus compatriotas“.4

Já na batalha do Rio Vermelho foi a aparição da Senhora Santana que, estando as tropas descansando, avisou-as da chegada do inimigo, evitando assim o ataque surpresa e possibilitou a vitória aos brasileiros.4

O Corneteiro Lopes[editar]

Segundo José Calasans foi possivelmente o historiador Inácio Acioli de Cerqueira e Silva, na obra Memórias Históricas e Políticas da Bahia quem primeiro explicou a vitória baiana na Batalha de Pirajá como decorrente de um toque errado de corneta. Temendo ficar sitiado, o Major José de Barros Falcão, no comando de posição-chave, mandara tocar a retirada, mas o corneteiro Luís Lopes, um português que combatia do lado brasileiro, fez o oposto: deu o toque primeiro de avançar cavalaria e, em seguida, o degola: os inimigos, acreditando a chegada de reforços, saem em debandada e os brasileiros, quase derrotados, saem vitoriosos da pugna.4

O episódio descrito por Acioli é repetido na obra de Braz do Amaral, mas o Barão do Rio Branco, apesar de conhecedor daquela obra, omite tal passagem. Ganhara a passagem o tom lendário, até que pesquisas ulteriores deram conta ao registro feito por D. Pedro II em seu diário, sobre o relato feito ao Imperador pelo Barão de Cajaíba, que tomara parte dos combates: “um corneta trânsfuga português que descompunha, por meio de toques, o exército lusitano, e neste dia, tocando a retirar, fez com que avançassem os lusitanos para debandarem para o lado do campo de Cabrito e da cidade, logo que ouviram os vivas dados a meu pai, pelo major de Pernambuco Santiago“.4

O “Caboclo”[editar]

Importante participação nas lutas teve o elemento indígena, identificado simbolicamente como o “verdadeiro brasileiro”, o dono da terra, que somara seus esforços aos demais combatentes. A Bahia rendeu-lhe homenagens sempre ostensivas e, em 1896, no monumento erguido na capital baiana, a figura do caboclo encima – tal qual a do AlmiranteHoratio Nelson na Coluna de Nelson em Londres – aquele importante marco.

Na cidade de Caetité, que todos os anos festeja o 2 de Julho com grande pompa, a figura de uma cabocla surge num dos carros, matando o “Dragão da Tirania“, que representa o colonizador vencido.5

Resquícios: o “Mata-Maroto”[editar]

Ver artigo principal: Mata-Maroto

Chamando aos portugueses pejorativamente de marotos (o mesmo que marujos, já que vieram ter ao Brasil por mar), durante o período regencial6 (cerca de uma década apóa as lutas, portanto), tão logo se espalha a notícia da abdicação de D. Pedro I, na capital e em cidades do interior como Rio de Contas e Caetité, ocorrem perseguição dos nativos aos lusitanos.

Em Salvador e Recôncavo os piores incidentes tiveram lugar especialmente em 1831, quando João Gonçalves Cezimbra, assumindo o governo, compromete-se a nomear tão-somente brasileiros para o comando dos batalhões. O português Francisco Antônio de Sousa Paranhos mata o brasileiro Vitor Pinto de Castro, crime que acirrou inda mais os ânimos. Em dado momento chega-se a falar em rompimento do estado com a criação de uma federação.7

Notas

  1.  
    Wikipedia lexikon2.jpg   Nota linguística: Como evento à parte, e conforme o uso (vide as fontes seguintes, como exemplo), prefere-se a preposição da, ao invés de na Bahia:
    Ibahia.globo.com (2007). 2 de Julho: Independência da Bahia. Página visitada em 25/10/2010.
    A Tarde Online (12/03/2009). O que você acha de o aeroporto de Salvador voltar a se chamar Dois de Julho?. Página visitada em 25/10/2010. “” Até 1998, o terminal era denominado 2 de Julho, em homenagem à guerra pela Independência da Bahia”
    George Brito (30/06/2009). Grevistas pretendem boicotar festa da Independência da Bahia. Página visitada em 25/10/2010..

Referências

  1. ↑ a b Luís Henrique Dias Tavares in: Diversos. Aspectos do 2 de Julho. [S.l.]: Secretaria estadual de educação e cultura, 1973. sem numeração p.
  2.  Braz do Amaral. História da Independência…. 2ª ed. [S.l.]: Livraria Progresso, Salvador, 1957. 169-170 p.
  3. ↑ a b c d TAVARES, Luís H. Dias. Independência do Brasil na Bahia, pp. 219-221
  4. ↑ a b c d e José Calasans Brandão da Silva, O Folclore da Independência, in: Diversos autores. Aspectos do 2 de Julho. [S.l.]: Secretaria estadual de educação e cultura, 1973. pág. sem numeração p.
  5.  Koehne, André. (julho/agosto 2009). “Dois de julho em Caetité: O sertão e a independência da Bahia”. Revista Integração XVI (101): 8-10. Guanambi: Gráfica Papel Bom.
  6.  João Ribeiro. História do Brasil (João Ribeiro). [S.l.]: Livraria Cruz Coutinho, Rio de Janeiro, 1901, 2ª ed.. 360 p.
  7.  TAVARES, História da Bahia, op. cit., “Mata-Maroto”, págs. 259-261.

Ver também[editar]

Ligações externas

INDEPENDÊNCIA DA BAHIA – DOIS DE JULHO DE 1823

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A Independência da Bahia: um dos mais intensos episódios de luta contra a dominação portuguesa no Brasil.

A declaração de independência feita por Dom Pedro I, em sete de setembro de 1822, deu início a uma série de conflitos entre governos e tropas locais ainda fiéis ao governo português e as forças que apoiavam nosso novo imperador. Na Bahia, o fim do domínio lusitano já se fez presente no ano de 1798, ano em que aconteceram as lutas da Conjuração Baiana.

No ano de 1821, as notícias da Revolução do Porto reavivaram as esperanças autonomistas em Salvador. Os grupos favoráveis ao fim da colonização enxergavam na transformação liberal lusitana um importante passo para que o Brasil atingisse sua independência. No entanto, os liberais de Portugal restringiam a onda mudancista ao Estado português, defendendo a reafirmação dos laços coloniais.

As relações entre portugueses e brasileiros começaram a se acirrar, promovendo uma verdadeira cisão entre esses dois grupos presentes em Salvador. Meses antes da independência, grupos políticos se articulavam pró e contra essa mesma questão. No dia 11 de fevereiro de 1822, uma nova junta de governo administrada pelo Brigadeiro Inácio Luís Madeira de Melo deu vazão às disputas, já que o novo governador da cidade se declarava fiel a Portugal.

Utilizando autoritariamente as tropas a seu dispor, Madeira de Melo resolveu inspecionar as infantarias, de maioria brasileira, no intuito de reafirmar sua autoridade. A atitude tomada deu início aos primeiros conflitos, que se iniciaram no dia 19 de fevereiro de 1822, nas proximidades do Forte de São Pedro. Em pouco tempo, as lutas se alastraram para as imediações da cidade de Salvador. Mercês, Praça da Piedade e Campo da Pólvora se tornaram os principais palcos da guerra.

Nessa primeira onda de confrontos, as tropas lusitanas não só enfrentaram militares nativos, bem como invadiram casas e atacaram civis. O mais marcante episódio de desmando ocorreu quando um grupo português invadiu o Convento da Lapa e assassinou a abadessa Sóror Joana Angélica, considerada a primeira mártir do levante baiano. Mesmo com a derrota nativista, a oposição ao governo de Madeira de Melo aumentava.

Durante as festividades ocorridas na procissão de São José, de 21 de março de 1822, grupos nativistas atiraram pedras contra os representantes do poderio português. Além disso, um jornal chamado “Constitucional” pregava oposição sistemática ao pacto colonial e defendia a total soberania política local. Em contrapartida, novas forças subordinadas a Madeira de Melo chegavam a Salvador, instigando a debandada de parte da população local.

Tomando outros centros urbanos do interior, o movimento separatista ganhou força nas vilas de São Francisco e Cachoeira. Ciente destes outros focos de resistência, Madeiro de Melo enviou tropas para Cachoeira. A chegada das tropas incentivou os líderes políticos locais a mobilizarem a população a favor do reconhecimento do príncipe regente Dom Pedro I. Tal medida verificaria qual a postura dos populares em relação às autoridades lusitanas recém-chegadas.

O apoio popular a Dom Pedro I significou uma afronta à autoridade de Madeira de Melo, que mais uma vez respondeu com armas ao desejo da população local. Os brasileiros, inconformados com a violência do governador, proclamaram a formação de uma Junta Conciliatória e de Defesa instituída com o objetivo de lutar contra o poderio lusitano. Os conflitos se iniciaram em Cachoeira, tomaram outras cidades do Recôncavo Baiano e também atingiram a capital Salvador.

As ações dos revoltosos ganharam maior articulação com a criação de um novo governo comandado por Miguel Calmon do Pin e Almeida. Enquanto as forças pró-independência se organizavam pelo interior e na cidade de Salvador, a Corte Portuguesa enviou cerca de 750 soldados sob a liderança do general francês Pedro Labatut. As principais lutas se engendraram na região de Pirajá, onde independentes e metropolitanos abriram fogo uns contra os outros.

Devido à eficaz resistência organizada pelos defensores da independência e o apoio das tropas lideradas pelo militar britânico Thomas Cochrane, as tropas fiéis a Portugal acabaram sendo derrotadas em 2 de julho de 1823. O episódio, além de marcar as lutas de independência do Brasil, motivou a criação de um feriado onde se comemora a chamada Independência da Bahia.

Por Rainer Sousa
Graduado em História

http://www.brasilescola.com/historiab/independencia-bahia.htm

 

CONHEÇA OS SETE USOS DO VINAGRE

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Tábua de salvação – O vinagre pode deixar diversos alimentos mais saborosos, mas também pode ter muitas outras utilizações em casa. O líquido ácido é um poderoso agente de limpeza, que pode matar vírus e bactérias de diversos tipos.

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– Sinta-se melhor e alivie uma dor de garganta com vinagre. Misture uma colher de chá de vinagre de maçã em um copo de água, adoce um pouco e beba.

Mantenha sempre uma grande garrafa de vinagre branco em sua despensa, e quando você perceber que tem apenas um quarto de uma garrafa, compre uma nova. Dessa forma, você nunca vai ficar na mão quando precisar. (Com informações do CicloVivo e Discovery Home & Health)