31/12/2013 às 17:33 \ Tema Livre FOTOS QUE SÃO OBRA-PRIMA: Fotógrafo José Pinto transforma em livro 30 anos de trabalho e de paixão pela Amazônia

31/12/2013 às 17:33 \ Tema Livre

FOTOS QUE SÃO OBRA-PRIMA: Fotógrafo José Pinto transforma em livro 30 anos de trabalho e de paixão pela Amazônia

Foto: José Pinto

Folhagem que assumiu a forma de uma borboleta. Lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém (PA)

Publicado originalmente em 26 de novembro de 2013

campeões de audiência 02Não foi certamente por puro acaso que a primeira imagem a revelar-se diante dos olhos daquele menino de 4 anos, na penumbra mágica do laboratório fotográfico em que entrava pela primeira vez, tivesse sido a de uma árvore.

“Extasiado”, como ele próprio se descreve, ao debruçar-se várias décadas depois sobre essa lembrança, o menino José Pinto veria naquele momento traçados sua vocação e seu destino profissional — ser repórter fotográfico, tal qual o pai, os irmãos e mais tarde os filhos e vários outros parentes — e teria uma espécie de antevisão do que seria seu grande sonho: registrar, com minúcia, carinho e competência, a natureza, a gente e os problemas de sua Amazônia natal.

Este livro esplêndido, resultado de mais de 80 mil quilômetros percorridos no interior da maior floresta tropical do planeta em mais de três décadas de trabalho paciente e primoroso de José Pinto e seu irmão Pedro, é o desfecho natural daquele momento especialíssimo, vivido há mais de 70 anos. Constitui, desde já, um patrimônio do fotojornalismo brasileiro, à altura do colosso que eles tão fielmente retratam.

José Pinto está radicado em São Paulo desde 1952, mas nunca deixou de levar seu Pará no coração e nem de tê-lo na sua objetiva, ao lado dos demais Estados da região Amazônica.  Entre outros veículos da imprensa, trabalhou nas extintas revistas O Cruzeiro e Manchete, teve passagem pela TV como câmera, atuou no extinto jornal Última Hora, em O Estado de S.Paulo e em diferentes revistas da Editora Abril.

O trabalho sobre a Amazônia, a ser transformado num livro de 900 páginas — a obra, ainda sem título definitivo, está sendo negociada com editoras –, é uma realização pessoal, bancada pelo próprio bolso, realizado em férias e intervalos entre empregos, e para cujo financiamento Zé Pinto, como o chamam os amigos, chegou a vender propriedades e um carro. “Nele, procuro mostrar a região sob o prisma do povo amazônico, seu cotidiano e o esforço para conjugar a preservação da floresta com o desenvolvimento sustentado”, diz o fotógrafo.

Embora seja um livro de fotos, José Pinto colheu para a obra mais de 250 depoimentos sobre a região, entre poetas, cientistas, escritores, jornalistas, ambientalistas, militares e dirigentes políticos, entre os quais o antropólogo Darcy Ribeiro, o geógrafo Aziz Ab’Szaber, o escritor Rubem Braga, os sertanistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas, o bibliófilo José Mindlin, os ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso e a presidente Dilma Rousseff.

Desfrutem algumas das fotos magníficas que constarão do livro, selecionadas pela editora de Fotografia de VEJA, Gilda Castral, que confessa: “Sofri muito para escolher algumas em meio a tantas fotos primorosas”.

Foto: José Pinto

Samaumeira, conhecida como a Árvore Sagrada da Amazônia,  Macapá (AP)

Foto: José Pinto

Cipós retorcidos — o poder da metamorfose amazônica. Em algum ponto do Estado do Amazonas

Foto: José Pinto

Mangueira, quintal de uma residência, Belém (PA)

Foto: José Pinto

Samaumeira: com 60 metros de altura, 3,5m de diâmetro, a árvore torna pequena a figura do caboclo que escala sua base

Foto: José Pinto

Tracajá repousa sobre um jacaré, lago do Parque Zoobotânico anexo ao Museu Emílio Goeldi, Belém

Foto: José Pinto

Ribeirinha com filhos gêmeos, feliz por escapar da cheia do Rio Amazonas e conseguir abrigo, Bragança (PA)

Foto: José Pinto

Teia de aranha na Floresta Amazônica, em algum ponto do Estado do Acre

Foto: José Pinto

A chuva das três da tarde e o Teatro da Paz, Belém

Foto: José Pinto

Mercado Ver-o-Peso, entreposto pesqueiro e ponto turístico, Belém

Foto: José Pinto

Trecho do Rio Amazonas, rumo ao Amapá

Foto: José Pinto

Ossatura do peixe gurijuba. Sua bexiga natatória possui propriedades medicinais e aplicações industriais. Ele é tido pelos ribeirinhos como sacramento da presença de Deus Pai nas águas do rio, pois seus ossos lembram Jesus crucificado

Foto: José Pinto

O homem amazônico: catador de caranguejos saindo de um manguezal próximo a Belém. Na sua boca, uma “parranga”, ou “porronga” – um cigarro de maconha do tamanho de um charuto

Foto: José Pinto

Casa de ribeirinhos às margens do Rio Amazonas, cercanias de Macapá

Foto: José Pinto

Sítio de mineração desativado. O homem passou por aqui, e deixou veias abertas. Serra do Manganês (AP) (Foto: José Pinto)

Foto: José Pinto

O sertanista Orlando Villas-Bôas, em sua casa em São Paulo, em 2001. Orlando e seus irmãos Cláudio e Leonardo, segundo José Pinto, “estão eternizados nos murmúrios dos rios, das cachoeiras, na generosidade das chuvas”

Foto: José Pinto

Mãe indígena amamenta o filho, São Gabriel da Cachoeira (AM)

Foto: José Pinto

A cabocla e os filhos sorriem depois de recolher doações lançadas pelos viajantes do barco “Bom Jesus”, navegando pelo rio Salvadorzinho entre Belém e Macapá

Foto: José Pinto

O mimetismo é a forma de proteção da borboleta contra os  predadores. Cercanias de Manaus

Foto: José Pinto

Vitória-Régia, Manaus

Foto: José Pinto

Festa folclórica do Boi-Galheiro, cercanias de Vigia (PA)

Foto: José Pinto

Família de ribeirinhos, liderada pela matriarca Gregória, chegam à sua residência, Ananindeua (PA)

Foto: José Pinto

A ribeirinha Gregória  e a família em sua residência, Ananindeua

Foto: José Pinto

Uma das filhas da matriarca Gregória, grávida do garoto Douglas, rio Caraparu (PA)

Foto: José Pinto

O garoto Douglas, agora com 6 anos, puxa a canoa, rio Caraparu

Foto: José Pinto

Garoto guarani em algum ponto do Pará

Foto: José Pinto

A Floresta em Chamas. Uma fusão digital de imagens que mostra um jacaré consumido pelo fogo. A criação do artista não rivaliza com a realidade

 

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