“MARCHA CÍVICA DAS FAMÍLIAS COM DEUS. OBJETIVO: CIDADANIA E ÉTICA. ABAIXO A CORRUPÇÃO. ”PROTESTO JÁ ! 22 DE MARÇO”

“MARCHA CÍVICA DAS FAMÍLIAS COM DEUS
 
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OBJETIVO: CIDADANIA E ÉTICA. ABAIXO A CORRUPÇÃO.
 
”PROTESTO JÁ ! 22 DE MARÇO”
 
A Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações públicas ocorridas entre 19 de março e 8 de junho de 19641 no Brasil em resposta à “AMEAÇA COMUNISTA” representada pelo discurso em comício realizado pelo então presidente João Goulart em 13 de março daquele mesmo ano.
Na data, o mandatário assinou dois decretos, permitindo a desapropriação de terras numa faixa de dez quilômetros às margens de rodovias, ferrovias e barragens e transferindo para a União o controle de cinco refinarias de petróleo que operavam no país. Além disso, prometeu realizar as chamadas reformas de base, uma série de mudanças administrativas, agrárias, financeiras e tributarias que feriam os interesses da classe média e da elite, já que haveria distribuição de terras e bens.2 Discursando para cerca de 150 mil pessoas, Goulart antecipou a reforma urbana e a implementação de um imposto sobre grandes fortunas.
 
A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” foi o nome comum de uma série de ‘manifestações públicas’ ocorridas entre 19 de março e 8 de junho de 19641 no Brasil em resposta à “ameaça comunista” representada pelo discurso em comício realizado pelo então presidente João Goulart em 13 de março daquele mesmo ano. Na data, o mandatário assinou dois decretos, permitindo a desapropriação de terras numa faixa de dez quilômetros às margens de rodovias, ferrovias e barragens e transferindo para a União o controle de cinco refinarias de petróleo que operavam no país. Além disso, prometeu realizar as chamadas reformas de base, uma série de mudanças administrativas, agrárias, financeiras e tributárias5 que feriam os interesses da classe média e da elite, já que haveria distribuição de terras e bens. Discursando para cerca de 150 mil pessoas, Goulart antecipou a reforma urbana e a implementação de um imposto sobre grandes fortunas.
Vários grupos sociais, incluindo o clero, o empresariado e os setores políticos conservadores se organizaram em marchas, levando às ruas mais de um milhão de pessoas com o intuito de derrubar o governo Goulart. A primeira das 49 marchas aconteceu no dia 19 de março – dia de São José, padroeiro das famílias – em São Paulo e congregou entre 300 e 500 mil pessoas. Ela foi organizada por grupos como Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE), União Cívica Feminina (UCF), Fraterna Amizade Urbana e Rural, dentre outros grupos, recebendo também o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Na ocasião, foi distribuído o “Manifesto ao povo do Brasil” pedindo o afastamento de Goulart da presidência. Após a deposição do presidente pelos militares em 31 de março, as marchas passaram a se chamar “Marchas da Vitória“. A maior delas, articulada pelo CAMDE no Rio de Janeiro, levou cerca de um milhão de pessoas às ruas em 2 de abril de 1964.